Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 29 de Agosto 2008 - 23h57 Já é um lugar comum que o futuro do Brasil depende da educação. Para parecer “sério” e “culto” o pedidor de votos jura por Deus, pela pátria e pela família (a dele, certamente) que a educação é uma das suas prioridades. Político tem “prioridades”, nunca uma prioridade.
Como melhorar a educação? Esta não é a praia deles. Eleitos, loteiam os cargos. Raramente um educador é escolhido para “dar jeito” na educação. A “gestão educacional” acomoda correligionários e amigos. Se der, deu. Se não deu, fica para a próxima campanha eleitoral.
Exemplo da educação brasileira: em abril, num concurso para professores do segundo ciclo, em Pernambuco, mais de 90% dos candidatos foram reprovados. Não tinham conhecimentos básicos das matérias que deveriam ensinar. As provas de língua portuguesa, conhecimentos pedagógicos e específicos foram um desastre.
Resultado: uma entidade de professores pediu ao Ministério Público a anulação do concurso, considerado “difícil demais”. Os reprovados esperam uma prova mais fácil, isto é, de acordo com a ignorância e deseducação nacionais. Enquanto isso a evasão escolar brasileira, medida pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, oficialmente é de 28%, mas deve ser bem maior, pois as escolas adulteram a freqüência dos alunos.
Evasão escolar, professores despreparados, escolas sem atrativos para os jovens. E nadando sobre isso a ignorância e o oportunismo dos políticos, papagaios a repetir mecanicamente chavões que mascaram a tragédia educacional que nos afunda, que eles não entendem, mas usam e abusam como alavanca de poder. Das creches à universidade tudo tem de ser refeito. Como e por quê? Por quem? Azar nosso: os políticos decidem.