Vicente Golfeto
Sabado, 30 de Agosto 2008 - 17h43 A História mostra que houve ditadores e ditaduras populares. O presidente Getúlio Vargas (1937/1945), o presidente Médici e seu governo (regime militar de 1964 a 1985), igualmente foram populares. Isto para não falarmos de Juan Domingo Perón, da Argentina. Assim, não somente democracia é regime de maioria. Ditadura também pode ser regime apoiado por maioria. E maioria sólida. O que distingue então, primordialmente, uma democracia de uma ditadura? Primeiro, na democracia o governante é eleito. O que nem sempre ocorre na ditadura. Segundo, no regime democrático, as minorias são respeitadas.
Mas a ditadura não é apenas um regime. É um estado de espírito. Ela contamina as pessoas muito mais do que podemos imaginar. A cozinheira, ao coar café por exemplo, adoça-o conforme o seu paladar. E os que forem beber o café que se ajuste. Na verdade, o correto seria servir o café sem açúcar. E cada um poria a quantidade de açúcar que quisesse. Ou, se não quisesse açúcar, que usasse adoçante. Mas há os que preferem café sem açúcar e sem adoçante.
O jornal A Cidade do dia 17/08 trouxe matéria sobre cadeirantes. Mostra que esta parcela da população – uma das muitas minorias – não tem seus direitos respeitados. Pelo contrário, a cidade foi e continua sendo traçada e executada sem considerar a existência deles. E não apenas deles: de todas as minorias.
Ao longo dos anos, tivemos governos ditatoriais e governos – mesmo alguns eleitos – autoritários que sempre impuseram seus desígnios, sem cuidar das minorias. Templos religiosos somente de uns tempos para cá começaram a cuidar delas. Banheiros em estabelecimentos comerciais e industriais igualmente ignoravam os cadeirantes.
“Acabamos com a escravidão. Precisamos, agora, acabar com a obra da escravidão”, dizia Joaquim Nabuco. Parafraseando Nabuco podemos dizer que acabar com a ditadura, não raro, é prosseguir com sua obra.