Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Sabado, 30 de Agosto 2008 - 17h44

Índio quer voto


Político tem vocação pra tudo. Menos pra Dalva de Oliveira. Ela foi a cantora do “errei sim, manchei o teu nome”. Político brasileiro não erra. Se duvidam, assistam o horário eleitoral gratuito (que nós pagamos para eles mentirem à vontade).
Lá estão eles. Em Ribeirão Preto abundam. Dizem o que fizeram e o que farão. Ninguém confessa um errinho. Nunca estacionaram na contramão nem jogaram toco de cigarro na sarjeta. Aliás, não fumam, não bebem e não cheiram. Mas fedem, pelo menos na opinião da maioria. Segundo registrou uma pesquisa da Associação dos Magistrados, fedem moralmente que é uma barbaridade.
Político é um animal (foi um filósofo grego quem os apelidou de animal, no bom sentido é claro) que nem precisa mentir. Quando se pergunta a um que tem estampado na face o seu belo caráter, se ele roubou e mandou a grana para um paraíso fiscal, o cujo responde altaneiro: “eu fiz a ponte que caiu”. Ou faz uma revelação misteriosa, tipo “esqueçam o que eu escrevi”. Jamais se rebaixam a responder perguntas cretinas.
Em Ribeirão Preto temos uma bela salada filosófica, se é que me entendem. De um lado, um afirma que já fez tudo e fará mais. De outro, respondem que nada fez e nada fará.
Assim, um diz: o que é, é e será. Outro retruca: o que é não é e jamais será. Ou seja, um velho postulado burro: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Claro, é o “debate eleitoral” entre o doutor prefeito Welson Gasparini e a doutora deputada Dárcy Vera, posto em termos “filosóficos”.
O doutor deputado Rafael Silva só assunta e diz que vai ver. Os outros doutores candidatos olham pra cima, esperando os de riba caírem, se caírem. E tu, ó cara pálida, vota neles? Afinal, índio quer apito.

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