Igor Ramos
Sabado, 30 de Agosto 2008 - 18h27 Como seria
Se há algo intrigante no futebol moderno é o desenvolvimento técnico das mulheres. Confesso que uma das minhas maiores curiosidades é a de ver uma das nossas craques enfrentando os marmanjos. Como seria ver Marta e Cristiane dando olé na zagueira sem cintura? Será que os brucutus apelariam se tomassem um drible desconcertante de uma mulher? A falta seria um agarrão “carinhoso”ou um carrinho maldoso? . No fundo acho que será muito difícil ver as mulheres em campo em um time mesclado. Tudo porque a diferença física prevaleceria nos dias atuais. Se entrassem no túnel do tempo Marta e Cristiane jogariam fácil nos anos 70 e apanhariam pouco dos zagueiros.
Mas hoje é algo um tanto quanto surreal. A própria Cristiane revelou nesta semana que a dificuldade é muito grande até mesmo quando fazem coletivos contra garotos de 15 anos. Mas que é intrigante, ah isto é. Adoraria ouvir sendo anunciado no alto-falante do Pacaembu uma substituição. Substutição no Corinthians: “Sai Herrera e entra Cristiane”. A Fiel iria à loucura. Com o acesso já garantido, seria uma farra só, para azar dos adversários. Marta, então, causaria frisson em qualquer torcida. Quem sabe o futebol ainda nos brinde com isto.
Botafogo
Esta coluna foi escrita antes do final do Come-Fogo de ontem. Acredito que tenha sido um bom jogo, mas não sei se acertei no meu prognóstico de que o Comercial seria ligeiramente favorito e poderia ganhar o clássico em razão do seu bom momento na Copa. Hoje posso estar pagando mico entre os botafoguenses. Mas faz parte, quando se tem opinião. E melhor ainda quando sabemos que verdade não é uma propriedade exclusiva.
Ainda mais no futebol, que sempre nos prega surpresas. Bom, isto já são favas contadas e o placar do clássico (sempre equilibrado) já entrou para a história. Vencendo ou perdendo, acho que uma eliminação na Copa Paulista não deveria ser lamentada pela torcida botafoguense.
Se há males que vem para o bem, sair deste torneio na primeira fase só trará benefícios ao Tricolor. Vejamos: o clube começará a pensar mais cedo na sua montagem para o Paulistão. Não correrá os riscos de se iludir com uma campanha neste malfadado torneio e que poderia aprovar, sem muitos méritos, alguns jogadores no vestibular futebolístico para a temporada 2009.
Dividir as atenções entre a Copa Paulista e a montagem para o Paulistão não trará vantagens ao Botafogo, ao contrário. Sem contar que o Botafogo vai trocar o gramado do Santa Cruz e só terá mais despesas deslocando-se para jogar em Sertãozinho, Batatais, ou onde quer que seja. A lacuna que pode surgir entre o período de ausência na Copa Paulista e o início do Paulistão deixará o torcedor ainda mais ansioso pelo que virá em 2009 e sua presença será marcante no estádio, ao contrário do que se vê neste torneio semi-amador. E dizer que a Copa Paulista serve para avaliar os contratados com potencial para o Paulistão, também é um equívoco, pois o nível técnico do torneio não serve de referência para treinador algum. Neste quesito também tenho minhas dúvidas sobre o que pode vir pela frente no estadual 2009, com Fahel Júnior. Entendo que o Botafogo deveria entrar de sola no Paulistão, investindo pesado à partir do banco de reservas. Errou ao trazer um treinador bem acima da média para a Copinha, mas que é uma incógnita para 2009. O barato de hoje sai caro amanhã. Permanecer na elite por dois ou três anos pode representar a redenção administrativo-financeira do clube. Retornar para a segundona, por sua vez, significará um novo mergulho no abismo, do qual o Botafogo já mostrou estar saindo.