Imóveis
Sabado, 13 de Setembro 2008 - 16h25
RITMO QUENTE O mercado imobiliário de Ribeirão Preto vive fase aquecida também pela oferta de crédito
O aumento no poder de consumo da classe C representa tendência fundamental no crescimento do mercado imobiliário em Ribeirão Preto e região.
Instituições privadas e públicas de financiamentos colocam à disposição do consumidor mais oportunidades de crédito, menores juros e mais tempo para quitar.
Gestores de imobiliárias e de construtoras afirmam ter listas de espera com os nomes das pessoas do perfil da classe C à espera de alugar ou comprar um imóvel.
Construtoras voltadas para a classe média dobram o número de lançamentos de empreendimentos. Responsáveis pelas vendas das incorporadoras afirmam que o aumento no número das vendas é um reflexo do crescimento no poder de consumo do perfil.
Falta
Para o responsável do grupo setorial das imobiliárias da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto), Antonio Carlos Maçonetto, apesar dos muitos lançamentos, ainda faltam imóveis, inclusive para locação. “É complicado entender essa matemática. Talvez, porque não haja imóvel suficiente. Esse crescimento tem sido a olhos vistos. Os lançamentos ocorrem num volume grande. É até difícil quantificar”, diz.
O perfil desse morador é de jovens casais que buscam imóveis pequenos, com até dois cômodos e que acabam por ter opção mais econômica. “Antigamente, havia limitação. Hoje, há uma enxurrada de opções de cartas de crédito, abertura de órgãos de financiamentos. Isso tudo vem ao encontro das construtoras”, afirma Maçonetto. Ele também aponta a instalação de novas empreendedoras que têm como foco a classe C. Entre elas a MRV e a Fit, que apostam no mercado da nova classe consumidora.
A MRV veio para Ribeirão há dez anos para vender imóveis e trabalhar exclusivamente com a classe C. Até hoje, já lançaram 24 empreendimentos na cidade. Até o fim do ano ainda devem lançar mais cinco, informou a direção da incorporadora.
Nos últimos dois anos, informam ter tido um aumento de 200% nas vendas efetivas. “Percebemos que havia uma demanda reprimida da classe média e baixa em Ribeirão. Essas pessoas têm uma renda per capita que lhes dá condição de comprar o imóvel que vendemos”, diz o diretor comercial da empreendedora, Rodrigo Colares.
Ele afirma que, atualmente, o cliente tem a opção de financiar um imóvel em até 30 anos. Antigamente, o prazo máximo seria de 15 anos. “Isso faz com que a classe C tenha mais chances de consumir. Essa situação é boa para todo mundo. Ganha o banco que consegue fazer mais financiamentos. Ganha o cliente que consegue o crédito e ganha a incorporadora que tem segurança para construir e lançar”, observa Colares.
Cliente chegou a esperar 4 meses na fila
Os dados no setor de locação da imobiliária Fortes Guimarães também caminham para um aumento sem precedentes. “Há mais procura e menos opções de imóveis no mercado. Há muita procura e fila de espera. Tenho cliente que já chegou a esperar até quatro meses por um único imóvel. O valor baixo é o maior atrativo. A cidade cresce e as pessoas estão tendo um grande poder de consumo”, afirma uma das locadoras Lívia Júnia de Sousa Fernandes.
A classe média
Pesquisa do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgada em agosto deste ano mostra que a classe média tem tido mais poder de consumo.
A renda da parcela da classe C cresceu 22,8% de abril de 2004 a abril de 2008, conforme informação do professor Marcelo Côrtes Neri, chefe do CPS (Centro de Políticas Sociais) do instituto.
Angela Pepe
Especial para A Cidade