Imóveis
Sabado, 13 de Setembro 2008 - 16h25 Vicente Golfeto
“Se a indústria automobilística fosse um país, seria o quinto maior do mundo, com um PIB avaliado em US$ 3,3 trilhões”. Você já pensou bem no que está escrito entre aspas no início destas minhas observações?
Apenas quatro países em todo o mundo – Estados Unidos, China, Japão e Alemanha – teriam PIB maior do que seria o PIB da indústria automobilística. Na verdade, o seu faturamento em todo mundo.
A realidade é esta mesma. E era esperada. Afinal, o automóvel foi o símbolo não apenas do individualismo, que é uma variável do egoísmo, mas principalmente do capitalismo em sua fase quase inicial, quando se trata da modalidade de mercado.
Tudo aconteceu na época em que o presidente Juscelino Kubitschek quis anunciar, no meio de seu governo, que o país pretendia palmilhar o capitalismo de mercado em toda sua plenitude, depois de robustecer a Petrobrás, que foi criada alguns anos antes, na gestão constitucional do presidente Getúlio Vargas. Foi ela que possibilitou a implantação da indústria automobilística.
Portentosas
Já dissemos e vamos repetir. O capitalismo de mercado tem dois ícones. Um é o automóvel. Que nos Estados Unidos era representado pelas portentosas fábricas de Detroit.
Outro é o edifício, posto em evidência em Nova Iorque, quando exibia a Baia de Manhattan. Em coordenadas cartesianas, o automóvel fica na abscissa enquanto o edifício apresenta-se na ordenada. Mas este capitalismo já passou e atualmente, nos Estados Unidos, as faces do regime são expostas em Wall Street e em Las Vegas, esta a diversão, a jogatina desenfreada. Aquela, o dinheiro.
Mas no mundo – que caminha para o capitalismo em seu capítulo de mercado – fase primeira, o automóvel ainda é o símbolo mais expressivo. Sua indústria tem um faturamento global nos termos acima anotado.
O que nos importa é que: 1- o Brasil situa-se nesta fase primeira do capitalismo; 2- nossas cidades, nossas rodovias, recebem as conseqüências deste estágio de maneira tão intensa que os governantes precisam de se acautelarem a fim de que a infra-estrutura seja adredemente preparada para a sobrecarga que, sem pessimismo, deverá aumentar ainda mais nos próximos anos.
Além de status, além de símbolo de um regime, o automóvel é um meio de locomoção que muito satisfaz. Com as facilidades de renda e de financiamento, com o crescimento do prazo de pagamento, com a redução por conseguinte, das prestações mensais – que passam a caber no orçamento das pessoas e das famílias – o aumento da frota será inevitável. E perfeitamente previsível. Assim, preparar a casa – e mesmo os prédios das empresas – para se poder abrigar mais veículos, notadamente automóveis deve ser tarefa de quem planeja novas construções.
E tão necessárias quanto aquelas que os governantes têm que cuidar, preparando as artérias das cidades e as rodovias para os veículos em movimento.
Atitudes
Planejar, nas empresas, nas famílias e no setor estatal, nada mais é do que tomar, no presente, atitudes que venham, senão eliminar e evitar, pelo menos reduzir problemas do futuro.
Em edifícios de apartamento, por exemplo, já há garagens projetadas de tal maneira que o espaço é tão grande quanto o ocupado pelo apartamento individualmente considerado. Família de um lado e veículo de outro.
Nas empresas isto igualmente começa a ocorrer. A alternativa será aumento de gasto com estacionamento particular. Ou deixar o veículo nas ruas à sanha de delinqüentes.