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Quarta-Feira, 17 de Setembro 2008 - 0h30

RP deixa de usar verbas de farmácias populares

Simei Morais
J.F.PIMENTA RP  deixa de usar verbas de farmácias populares OSWALDO CRUZ FRANCO Farmácias ficam para próximo governo

Ribeirão Preto não terá, este ano, as quatro farmácias populares a que tem direito, contrariando prazo estipulado pelo Ministério da Saúde. Em dezembro de 2007, o governo federal havia determinado um ano para que o município inaugurasse as quatro unidades. A verba estava garantida desde 2005.
O secretário municipal da Saúde, Oswaldo Cruz Franco, afirma que apenas duas serão abertas ainda em 2008. Uma em Bonfim Paulista e outra na rodoviária de Ribeirão.
“O próximo governo vai ter que terminar e colocar as demais”, declara Franco.
Segundo o secretário, o município não perderá a verba referente às outras duas farmácias, ao ultrapassar a data estabelecida pelo Ministério da Saúde. “Eles estão vendo nosso esforço (para definir o local das farmácias). Não determinaram prazo porque perceberam as dificuldades”, comenta.
No entanto, Franco diz que não houve documento assinado entre os governos municipal e federal que assegure a outra metade dos recursos.
O Ministério da Saúde afirma que o município só terá de devolver o dinheiro (R$ 55 mil para cada unidade) se comunicar oficialmente que não abrirá as farmácias, o que ainda não ocorreu, segundo a assessoria de imprensa da pasta.
“O município ficou de informar ao ministério sobre o local das outras duas, para ver se o governo federal aceita”, diz a assessoria do Ministério.

Novela
O secretário afirma que dificuldades burocráticas emperraram a inauguração. Primeiro, diz, foi a recusa de entidades civis em dirigir as farmácias. Duas universidades particulares e duas Ongs (organizações não-governamentais) iriam assumir a gestão, conta Franco.
“Passou mais de um ano e só em 2006, um ano depois do convênio sair, é que falaram que não queriam mais”, diz. Segundo o secretário, a lei municipal que autorizava o convênio teve de ser modificada, na Câmara, para que a administração municipal assumisse o caso.
Assim, a prefeitura se comprometeu a investir mensalmente na manutenção das farmácias, em conjunto com o Ministério. O valor necessário, aponta Franco, é R$ 25 mil (R$ 15 mil do município e R$ 10 mil do governo federal).
No final do ano passado, o Ministério da Saúde chegou a informar que estudou cortar Ribeirão do programa - que vende remédios com preço até 90% mais baratos. O Estado já tem 72 unidades desse tipo; a mais nova será inaugurada em Rio Claro, amanhã.
Agora, diz Franco, a dificuldade é encontrar espaço físico para as outras duas farmácias. A prefeitura quer implantar uma unidade na administração dos Campos Elíseos. “Mas precisa de reforma, que tem de ser licitada. E a licitação não será lançada antes de dezembro”, explica o secretário, referindo-se à restrição do período eleitoral.A outra ainda não tem endereço previsto. A secretaria negocia local no Poupatempo.

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