Imóveis
Sabado, 20 de Setembro 2008 - 14h43 vicente golfeto
O nordeste paulista, do ponto de vista urbanístico, não está construindo uma região metropolitana. Mas as cidades carecem do que se pode denominar de planejamento regional. As chuvas que acontecem em Cravinhos, por exemplo, têm virado enchentes em Ribeirão Preto, fato que – como outros – apontam no sentido da necessidade de se unir ações administrativas para o atingimento de propósitos comuns.
Quem está, digamos, na praça XV de Novembro, área central de Ribeirão Preto, pode chegar mais rapidamente no centro de Sertãozinho do que no centro da Vila Abranches. E Sertãozinho é outro município enquanto a Vila Abranches é um simpático bairro da cidade, situado além do anel viário.
Não construímos, ao longo do tempo, um processo de conurbação física. Como fizeram as cidades do ABC junto com a capital do Estado. Fisicamente, uma cidade encostou na outra, ficando os limites estabelecidos por ato administrativo. Nós construímos – o que é muito mais profundo – uma conurbação econômica. Que não carece necessariamente de ser precedida por uma conurbação física. Assim, é comum nós vermos nas casas de Ribeirão Preto, servidores domésticos que moram em cidades próximas. E gente de Ribeirão Preto que estuda – digamos – em Jaboticabal, em Franca. Que trabalha em outra cidade e que tem namorada numa outra cidade ainda.
A conurbação econômica – que impõe um planejamento regional como necessidade imperiosa – é um fato que todos conhecemos. E está gritando por medidas administrativas que começariam por transportes interurbanos mais integrados. Isto porque esta modalidade de conurbação transforma todas as cidades, agentes politicamente independentes, em bairros de um único conglomerado. Cada um com sua vocação – ou vocações que coexistem – mas com identidade política própria.
Já falamos. Cravinhos, o futuro extremo sul de Ribeirão Preto, poderá se transformar num território de onde surgirão as melhores ofertas para construção de novos bairros residenciais. No sentido oposto, Jardinópolis tem tudo para ser o celeiro de mão-de-obra para alimentar as unidades empresariais – sobretudo industriais – a se localizarem na zona Norte da cidade.
Não há legislação que imponha um planejamento regional. Ele é filho do bom senso. Mas pode se constituir numa obra de ourivesaria política, trabalho que deve ser iniciado por um líder da região. Que não precisa de ser apenas um administrador. Líder e administrador são entes diferentes na atualidade. Quando o administrador fala, a gente ouve. Quando o líder fala, a gente vê. E é este que deve ficar coma palavra.