Imóveis
Sabado, 27 de Setembro 2008 - 15h28 vicente golfeto
A velocidade média do trânsito nas principais ruas da capital do Estado de São Paulo, em pleno início do século 21, é semelhante à do tílburi, veículo à tração animal que dominava as ruas de Londres na segunda metade e no final do século 19.
Numa época em que tempo é sinônimo de pressa, constatamos que estamos diante de uma limitante do desenvolvimento econômico.
Ribeirão Preto ainda não chegou a este ponto. Graças a Deus. Mas considerando-se que não temos artérias com pistas de rolamento – temos leito carroçável, por onde passavam carroça a tração animal e carro de boi – segue-se, que menos dia, mais dia estaremos com problema proporcional ao da capital do Estado.
Que fazer?
O engarrafamento é um protesto da maioria.
O trânsito é uma instituição democrática. A preferencial de uma artéria em relação a outras ou a outra é sempre estabelecida pela maioria. Por que uma avenida ou uma rua tem preferência sobre outra? Exatamente porque, por ela, transitam mais veículos do que pelas ruas que não têm esta prerrogativa. A maioria impõe sua vontade. A minoria deve esperar. Como, entretanto, democracia é governo da maioria com respeito às minorias – e não ditadura da maioria – segue-se que, em respeito às minorias, muitos cruzamentos têm semáforos. Há um tempo também para as minorias que, de outra forma, nunca poderiam passar, nunca teriam sua vez.
Pois bem, os ônibus são coletivos que levam, em média, trinta pessoas. Às vezes, muito mais. Eles levam a maioria enquanto os automóveis, as motos, são veículos do individualismo. Eles, num trânsito democrático, teriam que dar passagem à maioria transportada por omnibus. Que, em latim, quer dizer para todos. Os automóveis, as motos são o singular contra o plural dos ônibus, dos coletivos.
Em São Paulo, muitos executivos dispensaram os automóveis. Como não há alternativas de bons coletivos, já se deslocam ao trabalho e à residência de helicópteros. Com custos plenamente avaliáveis. Evidente que, num momento de decidir investimentos, estes custos pesam contra a alternativa da capital.
Cidades do interior ainda não chegaram a este ponto. E esperamos que Ribeirão Preto passe longe deste fato. Mas os custos incluídos no tempo perdido com deslocamentos dentro da cidade são fator importante no momento da opção que se faz por investimentos produtivos.
De início, como solução em forma de band-aid, pode-se pensar em impedir estacionamento nos dois lados das artérias – ruas, avenidas – por onde passam coletivos. E mais: reduzir-se a tarifa do coletivo pode ser uma boa pedida. Porque a tarifa elevada está levando o usuário a optar ou por automóvel próprio ou – na maioria dos casos – por aquisição de moto. Que não deixa de ser um dos transportes individuais que tem estreitado o espaço dos coletivos. Trânsito fluindo com celeridade é condição de valorização de um bairro. Adquirir imóvel aí é fator que pode influir se se pensar em fazer do investimento algo que dê bom retorno financeiro.