ViaEPTV.com
Jornal A Cidade - Seu jornal. Sua cidade.
  • 0

Zé do Abacateiro atrai filas de curiosos a sua varanda

Benzedor é procurado por gente de toda a região e também pessoal de São Paulo e do Rio de Janeiro

20/04/2013 - 20:20

Araraquara.com - Raquel Santana

Alterar o tamanho da letra A+ A A-


Kris Tavares / Tribuna Impressa
Zé do Abacateiro: da Paraíba para Gavião Peixoto, sempre disposto a benzer as pessoas (Foto: Kris Tavares / Tribuna Impressa)

O que leva todos os dias cerca de 50 pessoas a fazerem fila em frente a uma casa simples, de difícil acesso, em uma chácara em Gavião Peixoto (cidade a 122 km de Ribeirão Preto), em busca do futuro?

É que, neste endereço, cercado por pés de abacates, mora José da Conceição, 63 anos, também conhecido como Zé do Abacateiro, benzedeiro, quiromante e “adivinhador” do futuro – uma espécie de profeta que vê nas mãos das pessoas e nas folhas de boldo que usa para benzer o que o tempo nos reserva.

Zé aprendeu a ler as mãos com apenas 7 anos. A avó Júlia, benzedeira, bem que queria que ele a ajudasse no ofício, mas o menino pouco se interessava. “Eu só ajudava escolhendo as folhinhas que ela usava para benzer”, conta. Lá na Paraíba, local em que morou até os 40 anos, tinha problema de tudo quanto era jeito, de erisipela a barriga d’água – e as mães vinham em busca das rezas de dona Júlia, índia bugre que morreu centenária, em 1970.

Nos últimos 20 anos de vida, dona Júlia foi ficando cega e não teve outro jeito a não ser o neto, ainda menino, ajudá-la. “Ela falava que eu ia fazer a mesma coisa que ela e eu dizia que não”, lembra.
Mas, dois anos depois de a avó morrer, Zé passou por uma prova de fogo, que colocou em xeque todas suas crenças e conceitos. “Em 1976, quando minha primeira filha tinha nove meses, ela quase morreu.

Como ela não tinha sido batizada, demos uma carreira e a batizamos para ela não morrer pagã”, conta Zé, explicando que a menina tinha asma. “No caminho de volta, quando ela já estava desfalecida, parei debaixo de um pé de baraúna e pensei: ‘Se minha avó disse que eu era igual à ela, então vou benzer a menina”’, lembra.

Feita a oração, 20 metros adiante a filha já estava correndo e brincando. “Prometi que, a partir daquele dia, ia benzer gente, animal, quem me procurasse”, lembra.
E assim foi feito. Desde então, ele virou “benzedor”, ofício geralmente exercido pelas mulheres e de origem católica.

De graça

Zé do Abacateiro, como manda a tradição, não cobra um centavo para benzer e ler a mão. “Tem gente que traz uma lata de óleo, um quilo de sal. Dinheiro não aceito, não”, afirma.

A única exigência é respeitar a ordem de chegada. Zé começa a atender a partir das 17h30, depois de trabalhar na lavoura de sol a sol. Na varanda da casa, a parede traz a marca do pé do benzedor, que passa cerca de cinco horas por dia encostado nela, atendendo as pessoas.

Com três folhas de boldo, que representam respectivamente a inveja, a ambição e a má vontade, ele reza em frente a quem o procura. A folha que entortar é o setor que precisa ser “descarregado”. Na sequência, lê a mão da pessoa. E dizem: o que ele fala, é lei.

Experiência

No final do dia da última terça-feira, lá fomos nós ver qual era a história desse tal de Zé do Abacateiro, de quem que tanta gente falava.

Depois de nos perdermos na estrada e de termos de parar duas vezes para pedir informação, finalmente chegamos à chácara em que ele atende. Já tinha um casal esperando. Enquanto seu Zé tomava banho, ficamos aguardando, nos divertindo com um pequeno filhote de cachorro, que era pura alegria.

Ele começou a atender e, de longe, fiquei olhando. De olhos fechados, as folhas de boldo na mão, ele rezou e depois conversou com o casal. Fiz a entrevista, tiramos as fotos e quis ser atendida também.
No pequeno alpendre, o que mais me chamou a atenção foi a marca dos pés de seu Zé na parede. Marcas de fé.

Enquanto ele rezava, fiquei me questionando: o que leva uma pessoa a abnegar-se a favor do outro desse jeito, nesse mundo louco em que vivemos? Que missão é essa?
Seja qual for, seu Zé, só sei que o senhor me disse que meu futuro é lindo.
Deus o ouça!

Mais Notícias

    Participe
    Participe AraraquaraSiga nosso TwitterCurta nossa Fan Page

    Enquete

    Você já definiu seu voto para deputados?


    Edição Digital

    Tenha acesso a todo o conteúdo do jornal impresso.

    Edição Online

    Classificados - Jornal a Cidade

    A partir de agora você terá mais uma opção para anunciar veículos e imóveis no Jornal A Cidade

    Classificados Imóveis- Jornal a Cidade
    Classificados Carros - Jornal a Cidade