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Água jogada fora abasteceria áreas 'secas' de Ribeirão Preto

O que o município desperdiça diariamente seria suficiente para regularizar situação dos dez bairros onde mais falta

18/01/2014 - 22:29

Jornal A Cidade - Marcelo Fontes

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Lucas Mamede / Especial
No Jardim Aeroporto, onde mora Marlene Rodrigues, a água só chega de madrugada (Foto: Lucas Mamede / Especial)

 

Há sete anos que Marlene Rodrigues, de 56 anos, não sabe o que é ter água durante o dia. Ela mora e tem um pequeno comércio no Jardim Aeroporto. O bairro da zona Norte de Ribeirão Preto, segundo a prefeitura, é um dos dez pontos críticos para o abastecimento de água.

Marlene e outras 200 mil pessoas vivem nessas áreas “secas”. Essa população consumiria, em média, caso houvesse água na torneira, 138 milhões de litros de água/dia. O volume é inferior ao total desperdiçado todos os dias nas redes de abastecimento da cidade.

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Segundo o Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto), são captados 418 milhões de litros de água, diariamente. Já levantamento do Instituto Trata Brasil, de outubro de 2013, apontou que Ribeirão Preto desperdiça 210 milhões de litros por dia, 33% do que se capta com vazamentos e problemas oriundos da rede precária e obsoleta. O Daerp alega que o desperdício é de 26%.

Mesmo assim, o total perdido (110 milhões de litros/dia) daria para abastecer 80% das casas dos dez bairros críticos: Ipiranga, Campos Elíseos, Aeroporto, Salgado Filho, Jardim Paiva, Monte Alegre, Parque Ribeirão, Alto da Boa Vista, Ribeirânea e Centro.

Água noturna

Marlene Rodrigues mora com uma filha e cuida de sete netos. Ela tem um bar/mercearia, fonte de sustento da família. Água? Só após a meia-noite. Para garantir o abastecimento, utiliza dois reservatórios de 500 litros e um tambor de 200. “Sempre que sobra um tempo, enchemos o tambor de madrugada”, falou.

Do outro lado do Aeroporto Leite Lopes, no Salgado Filho, o problema é o mesmo. José Francisco Correa, de 73 anos, sofre com a falta d´água desde 1994. “Precisei colocar duas caixas d´água e ainda encho os baldes à noite. Sempre temos a promessa da prefeitura de que o problema será solucionado, mas nada muda”, acrescentou.

Daerp garante que falta de água acaba em 2015

Segundo o Daerp, a falta de água em Ribeirão Preto vai acabar até julho de 2015, quando todo o sistema de abastecimento estiver automatizado e dividido em 22 centrais. As obras custarão mais de R$ 109 milhões, sendo R$ 59 milhões do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

Lucas Mamede / Especial
José Francisco reclamou e só ouviu desculpas (Foto: Lucas Mamede / Especial)

O Departamento também disse ter mapeado as dez regiões mais críticas. Esses bairros, segundo o Daerp, devem ter o abastecimento regularizado até o fim do ano.

“Pedi à prefeita [Dárcy Vera, PSD] prazo até o final do ano para sanar a falta crônica de água”, afirmou Marco Antônio dos Santos, superintendente da autarquia.

Ainda estão previstos no pacote de melhorias a implantação de 24 quilômetros de adutoras, construção de cinco reservatórios, perfuração de sete poços e recuperação de outros sete.

Lucas Mamede / Especial
Darci Pereira Júnior trabalha no Alto da Boa Vista e convive, há 15 anos, com a falta diária de água (Foto: Lucas Mamede / Especial)

Em relação aos vazamentos, a prefeitura alega que atualmente perde 26% do que capta. A meta é que esse número fique em 20% até 2016. O Instituto Trata Brasil considera 15% como percentual aceitável para o desperdício.

Torneiras vazias afetam todas as regiões

A falta de água em Ribeirão Preto também atinge a zona Sul e a região do Calçadão. Quem frequenta o banheiro público da Praça das Bandeiras reclama que todo dia acaba a água. “No verão, o problema é praticamente diário”, disse a vendedora Dirce de Souza, de 32 anos.

Paulo Barros, proprietário de um estacionamento na rua Américo Brasiliense, também vive o drama. “A vazão é tão pequena que não dá para tomar água no bebedouro. Em dezembro, nos dias de mais calor, ficamos dois dias sem água”, explicou.

Quase na mesma direção, mas vinte quarteirões para cima, no Alto da Boa Vista, zona Sul, Darci Pereira Júnior vive a mesma situação. Ele mora e tem um comércio – é cabelereiro – na rua São José.

“Ficamos sem água de manhã e o abastecimento só é restabelecido no final da tarde”, explicou Pereira.

De acordo com ele, foi necessário colocar duas caixas d´água para evitar mais problemas. “O problema já dura 15 anos e ninguém resolve. Cada hora é uma reposta diferente”, reclamou ele.

Oeste

Seis quilômetros a Oeste, no Parque Ribeirão Preto, reside Fabíola Nascimento de Paula, de 23 anos. Junto com a filha que hoje tem 3 anos, ela se mudou para o bairro no fim de 2012. Desde então convive com a falta d´água. “Se não fosse a caixa não teríamos água nem para fazer comida. Só temos água na torneira durante a noite”.

Lucas Mamede / Especial
Fabíola mora no Parque Ribeirão, onde a água só chega à noite (Foto: Lucas Mamede / Especial)

Na divisa dos bairros Monte Alegre e Jardim Antártica, até chega água, mas a quantidade mal dá para regar os vasos da dona de casa Vera Lúcia Pavan, de 51 anos. “Durante o dia todo ficamos com um fiozinho na torneia. Essa quantidade não é o bastante para chegar até a caixa d´água. O problema começou há um ano e a prefeitura não consegue resolver de forma alguma”.

No Jardim Paiva, também na zona Oeste, a falta d´água existe desde a fundação do bairro, na virada do século. Segundo o apurado, estrutura do bairro tem canos mais finos que o

Lucas Mamede / Especial
No Monte Alegre, Vera Lúcia tem água, mas não chega ao depósito (Foto: Lucas Mamede / Especial)

padrão e não suporta o número de ligações de água (2.484).

Desculpas

A dona de casa Sueli Onório da Silva, de 53 anos, vive o drama do Paiva há 12 anos. “A água some perto da hora do almoço e só volta na madrugada do dia seguinte. Quando procuramos a prefeitura, recebemos desculpas. Uma hora é excesso de consumo, outra, a bomba queimada”, disse.

Na Ribeirânia, problemas são pontuais

O bairro Ribeirânia, na zona Leste, é tido como prioritário pela prefeitura de Ribeirão Preto para receber parte dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Porém, durante a semana passada, a reportagem esteve no local durante dois dias e não encontrou nenhuma residência sem água.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Ribeirânia (Amor), Ivens Telles Alves, existem problemas pontuais no bairro, nada crônico. Segundo informou o Daerp, o Ribeirânia conta com 2.061 ligações de água.

Já o superintendente do Daerp, Marco Antônio dos Santos, disse que o bairro já vem recebendo investimentos e por isso a situação melhorou.

Campos Elíseos e Ipiranga vivem seca permanente

A dona de casa Célia de Oliveira, de 69 anos, e a cabeleira Rosimeire Maia, de 36, sofrem com a falta de água no Ipiranga. No mesmo endereço, existem uma residência e um salão de beleza e a demanda por água é grande.

“Nós vamos improvisando. Temos duas caixas de água e, mesmo assim, usamos uma terceira, que fica no quintal”, explicou Célia. “Temos que inventar soluções para manter o salão funcionando”, acrescentou Rosimeire.

A aposentada Maria Luiza Fernandes, de 85 anos, mora na rua Princesa Izabel há 60 anos e diz nunca ter passado por uma ‘seca’ tão grande. “O normal é ter água de madrugada, mas nos dias com mais calor chegamos a ficar dois dias sem água”, disse.

Assista ao vídeo que mostra vazamento de água potável em reservatório do Daerp

Weber Sian / A Cidade

 

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