Falta de médicos deixa UBDS vazia

Saúde usou vans para mandar os pacientes para UBDS central, onde as consultas foram ?relâmpago?


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Com apenas um médico para atender os casos de emergência, o Prontoatendimento da UBDS (Unidade Básica de Saúde Distrital) do Sumarezinho, na zona Oeste de Ribeirão Preto, ficou vazio ontem de manhã. Mas não foi pela falta de pacientes. Quem procurava atendimento foi transferido para outra unidade.

A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto disponibilizou uma van para transportar os pacientes do Sumarezinho até a UBDS Central. Ao meio-dia, cerca de 60 pessoas aguardavam atendimento na unidade do Centro. A superlotação gerou consultas-relâmpago,  com uma média de quatro minutos e meio.

Longa espera
Porém, alguns pacientes preferiram esperar até as 13h no Sumarezinho.
“Vou esperar, fazer o quê? Quando você precisa do atendimento, você espera”, afirma Franciele Bolsi, 24 anos, que às 11h30 espera o médico que estava escalado para as 13h chegar da UBDS da zona Oeste.
 
Já o auxiliar de produção Nosley Santos, 25 anos, reclamava de dor no joelho direito e preferiu ser transferido para a UBDS Central.“Vim com a van, mas não sei se vão levar a gente de volta, o problema é que aqui já estava cheio de gente esperando”, afirma.
 
Segundo apurou a reportagem com funcionários da unidade, até o meio-dia, já tinham sido feitas mais de 150 fichas na UBDS Central.
 
Como resultado da alta demanda, ocorreram consultas rápidas, de poucos minutos, para os pacientes que conseguiram o atendimento. “Fiquei pouco tempo na sala, estou cheio de manchas no corpo e nem fui examinado direito, me disseram que é uma micose e me deram o remédio”, afirma o teleoperador Bruno Leonardo, 18 anos.
 
A auxiliar de limpeza Ana Cláudia Serafim, 39 anos, chegou com pressão alta e passando mal, na UBDS do Sumarezinho. Porém, mesmo com a consulta rápida, ela se mostrou feliz. “Na sala mesmo do médico fiquei poucos minutos, mas fui bem atendida, eles me mandaram para a medicação e melhorei”, afirma.
Anteontem a UBDS do Sumarezinho também só tinha dois clínicos de plantão no período da manhã.
 
Na escala disponibilizada para consulta pública três clínicos atendiam na UBDS Central no período da manhã de ontem.
 
Superlotação gera consultas de poucos minutos
No início deste ano, o A Cidade mostrou que os pacientes esperavam até cinco horas por consultas que duram, em média, cinco minutos. O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) abriu investigação sobre o caso.
 
A reportagem acompanhou 66 pacientes que passaram por atendimento. A maioria reclamou da superficialidade das consultas e exames clínicos feitos pelo médico. Duas consultas, por exemplo, duraram apenas um minuto. Um terço das consultas acompanhadas (22), duraram três minutos. 
 
O Cremesp diz que ia solicitar prontuários dos pacientes para investigar as situações apontadas pelo A Cidade. O órgão também diz que vai ouvir o secretário Stênio Miranda. Até o momento, os resultados das investigações não foram divulgados pelo conselho.
 
Saúde confirma falta de profissionais
Em nota, o setor de comunicação da Secretaria da Saúde diz que a falta de médico na UBDS do Sumarezinho foi provocada por conta de um pedido de demissão e pedidos de licenças médicas. A Saúde não informa quando um novo médico será contratado.
 
Segundo a prefeitura, das 7h às 14h foram atendidas 161 pessoas na UBDS Central, com cinco médicos, o que dá 32 consultas por médico no período. Em média, uma consulta foi realizada a cada quatro minutos e meio.
 
A nota ainda diz que disponibilizou ambulância e van para transportar os pacientes e que as contratações serão feitas “em breve”, mas que não vão suprir a necessidade por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal e por não haver médicos no mercado suficientes para a demanda da saúde.

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