Estudante se diz vítima de homofobia em Ribeirão Preto

Ato teria ocorrido em um shopping; além de discriminação, homem alega ter sido agredido


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F.L.Piton / A Cidade
Suposto ato de discriminação foi alvo de uma manifestação de protesto, ontem, no Centro de Ribeirão (foto: F.L. Piton / A Cidade)'

Um estudante de doutorado da Universidade de São Paulo (USP) registrou anteontem um boletim de ocorrência, relatando que foi vítima de um ato homofóbico dentro do Shopping Santa Úrsula, no Centro de Ribeirão Preto. A ação resultou em um protesto em prol do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) no final da tarde de ontem.

O estudante, que não quis se identificar, disse que a ação foi acompanhada por seguranças do shopping. Denúncias formais sobre o caso foram feitas no Ministério Público e na Polícia Civil.

Abordagem
O homem, de 33 anos, diz que foi abordado por um homem no interior de uma livraria do centro comercial. “Ele se passou por homossexual, mostrou interesse e eu não percebi nada”.

Quando foi beber água, no piso superior, o rapaz afirma que recebeu um empurrão do homem. “Aí ele se identificou como PM, disse que estava fazendo um bico à paisana”. Tudo, de acordo com o estudante, aconteceu com dois seguranças junto ao suposto policial.

Além de ser ameaçado de morte, ele diz ter recebido tapas na cara. “Foi um horror, só pensava em sair dali”. De acordo com o estudante, o homem disse que estava fazendo uma ‘limpeza’ no shopping. “Essa foi uma das coisas que me motivou a procurar o Ministério Público”, completa.

Outro lado
Via assessoria de imprensa, o Santa Úrsula informou que não foi notificado ainda sobre o caso, que “repudia qualquer tipo de discriminação e respeita os direitos dos cidadãos e a legislação”. 

Weber Sian / A Cidade
Estudante fez um boletim de ocorrência após alegados atos (foto: Weber Sian / A Cidade)

Movimento faz manifestação em shopping

Cerca de 150 pessoas estiveram ontem em frente ao Santa Úrsula, em um ato organizado pelo movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis). O grupo se reuniu na praça Sete de Setembro antes de seguir para o shopping. A rua São José chegou a ser fechada pelos manifestantes. A organização do movimento foi feita através das redes sociais. 

De acordo com Rui Barros, de 55 anos, o movimento é a favor de todos e não somente do estudante que diz ter sofrido com a ação violenta. “Qualquer movimento é importante. É a população ocupando seu espaço”.

O autônomo Fabiano Caldeira, de 36 anos, esteve presente em solidariedade à causa. “Acho importante esses movimentos à favor das minorias”, afirma.

“Eu acho que os nossos direitos precisam ser garantidos. Por isso, movimentos como esse são tão importantes”, afirma a cabeleireira Kemilly Santos, de 28 anos.


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