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Professores fazem manifestação em frente à Secretaria da Educação

Aproximadamente 500 pessoas participaram do protesto, incluindo pais e alunos

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F.L.Piton / A Cidade
Professores fizeram manifestação nesta quinta-feira; clique e veja mais fotos na galeria (Foto: F.L.Piton / A Cidade)

Notícia atualizada às 23h58

A manifestação de professores da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto por melhores condições de trabalho afetou alunos de pelo menos 31 escolas. A paralisação desta quinta-feira (20) teve como ato principal um protesto que reuniu cerca de 500 pessoas, a maioria professores, na porta da secretaria da Educação.

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De acordo com levantamento feito pelo A Cidade, quase metade das Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emei´s) consultadas aderiu ao movimento – das 37 unidades consultadas, 17 foram prejudicadas, sendo que 10 pararam totalmente.

Já as Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef´s) a adesão foi maior ainda. Das 26 unidades consultadas pela reportagem, 14 tiveram as aulas prejudicadas, sendo que 5 pararam totalmente.

Segundo números da Secretária da Educação, as Emei´s atendem 21.314 crianças, enquanto as Emef´s têm 20.644 alunos – total de 41.958 estudantes.

Preocupação

Josie Senra de Oliveira Belem, 32 anos, mãe do Rafael, 4 anos, disse estar com medo de que todo o trabalho de inclusão feito na sala onde o filho dela estuda seja perdido com o desmantelamento de salas de aula na rede municipal. O assunto é um dos motivos das manifestações. A Educação nega que ocorra superlotação por causa da fusão de salas.

“Como podem querer mudar o meu filho para a segunda etapa, como estou ouvindo dizer? Ele vai perder os amigos? A escola vai perder todo o trabalho de inclusão?”, questiona. Ela ainda diz que Rafael fez um implante coclear [popular ouvido biônico] e teme que, com a sala lotada, ele tenha mais problemas.
Maria Gabriela Ayusso, 33 anos, mãe do Pedro Henrique, 2 anos e quatro meses também está preocupada com a superlotação.

“Na escola do meu filho estão falando até em tirar o horário de banho das crianças. Imagina ficar sem dar banho em uma criança que fica o dia todo na creche?” questiona. O filho dela estuda na Sebastião Moura, no Ipiranga.

Professores que participaram da manifestação alegam que o desmantelamento das salas tem provocado mistura de alunos de etapas diferentes. “Minha sala foi desfeita, agora as salas estão com 28 crianças o número é muito grande, sem falar que as salas que têm crianças especiais não vão conseguir atendê-las de maneira adequada”, afirma a professora Tania Teixeira.
A manifestação chamou a atenção dos membros da OAB, Marilia Ostini e Fábio Frato Soares. A Ordem formou uma comissão para acompanhar o caso.

“Vamos entrar com uma ação civil pública contra a prefeitura defendendo os direitos das crianças e questionando essas questões como a superlotação de salas. O que queremos é garantir que essas escolas tenham os profissionais necessários nas quantidades adequadas”, afirma Soares.

Secretária nega superlotação

“Não é real essa superlotação”, afirma a secretaria de educação Débora Vendramini. “O que eu não posso é ter sala subutilizada, salas com dez e doze alunos matriculados, apenas. Estou trabalhando em cima da legislação”, afirma.

Segundo ela, só nesta quinta foram chamados mais 74 professores de P2 e P3 e que as alterações de fechamento de salas foram feitas em, no máximo, dez salas.

“Todo início de ano isso acontece, porque, quando as aulas começam, a situação das famílias às vezes é diferente, mudaram de endereço, ou ocorreram outras alterações que nos faz tomar essas medidas”, afirma.

Ela também nega que os alunos de idades diferentes estejam sendo misturados e que tem aumentado no máximo dois alunos por sala. “Estou passando salas que tinham 25 alunos, para salas com 27.

Estou cumprindo a liminar e nem estou usando sua totalidade, só estou usando 10%”, ressalta.

Infográficos / A Cidade

 

Ato no Morro do São Bento tem confusão e carro do Daerp danificado

A manifestação de professores que levou 500 pessoas para Morro do São Bento na manhã desta quinta, acabou em tumulto envolvendo o secretário municipal de Administração, Marco Antônio dos Santos.

Os populares acusam o motorista do secretário de jogar o carro sobre eles. Já Marco Antônio diz que teve o caminho bloqueado e sofreu ameaças. A manifestação ocorreu para pedir melhores condições de trabalho nas escolas municipais.

A assessoria da Prefeitura de Ribeirão Preto chegou a repassar um e-mail afirmando que Marco Antônio estava “registrando boletim de ocorrência por ter sido agredido fisicamente”. Pouco depois, uma nova nota foi passada informando que apenas o veículo foi danificado.

Na Seccional

Após o incidente, Marco Antônio e motorista foram para Delegacia Seccional registrar a ocorrência. O secretário reconheceu que pediu para o motorista mover o carro na direção dos manifestantes. “Tenho o direito, como qualquer brasileiro, de ir e vir”, explicou.

Ele, porém, garantiu que os manifestantes não foram atropelados. “Andamos em uma velocidade que não oferecia risco. Ocorre que os mais exaltados subiram no carro e danificaram o vidro e a lataria. Isso não é democracia”, disse Marco Antônio, que pretendia ir ao Daerp. “Eles chutaram e se jogaram contra o veículo danificando o teto. Bateram no para-brisa que está totalmente trincado. Caíram cacos de vidro no motorista”, completou.

Sem Polícia

Segundo Marco Antônio, no momento da confusão, apenas guardas municipais faziam a segurança das secretarias de Administração e de Educação, no Morro do São Bento. “Ligamos para a polícia [Militar], mas via apenas a guarda municipal.”

Após o incidente, manifestantes e a Guarda Civil Municipal (GCM) tiveram um desentendimento. Gás de pimenta chegou a ser usado para dispersar o grupo. De acordo com o chefe operacional da corporação, o guarda municipal Elias, a intervenção foi necessária “para garantir a integridade do secretário”.

Após ser registrada a ocorrência, o delegado indicado para apurar o caso é Wellington Caliman.

O veículo danificado, um Fiat Línea que pertence ao Daerp, passou por perícia na tarde desta quinta.

F.L.Piton / A Cidade
Carro do Daerp ficou danificado após confusão entre grupo e secretário de Dárcy; clique e veja mais fotos na galeria (Foto: F.L.Piton / A Cidade)

Manifestante diz que foi atropelado por secretário

O manifestante que alega ter sido atropelado tem 19 anos e é estudante de direito. “Saí da faculdade e fui acompanhar a manifestação dos professores”, disse ele, que pediu para não ter o nome revelado.

O estudante registrou boletim de ocorrência e passou por um exame de corpo de delito – o resultado vai apontar se houve lesão corporal. “Machuquei o joelho e fiquei com um pouco de dor”, disse.

José Lisboa da Silva, de 27 anos, pai de um aluno da rede municipal, disse que pediu ao motorista do secretário para parar o carro. “Ele acelerou e as pessoas que estavam na frente pularam no capô para não serem atropeladas,” diz.

A professora Ana Cristina Chiacchio ratificou a informação “Ele [Marco Antônio] entrou no carro e falou para o motorista ‘acelera’. Eles saíram levando até a cancela”, diz.

Bom senso para evitar violência

Para Ricardo Alves de Macedo, advogado e membro do Conselho Municipal de Segurança Pública, durante as manifestações é preciso que o “bom senso e a prudência prevaleçam” para evitar que ocorra violência.

Em Ribeirão Preto, além do incidente desta quinta, em 20 de junho do ano passado, uma pessoa morreu após o empresário Alexsandro Ichisato de Azevedo (está preso) acelerar o carro no meio da manifestação.

Marcos Delefrate, então com 18 anos, morreu a caminho do hospital. Outras 12 pessoas ficaram feridas. O empresário, que fugiu após o crime, está preso no CDP de Ribeirão Preto.

“As manifestações são situações delicadas. É sempre importante lembrar que o direito de uma pessoa termina onde começa o direito do outro. A educação é sempre uma coisa vital nesse tipo de situação”, alertou.

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F.L.Piton / A Cidade

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