ViaEPTV.com
Jornal A Cidade - Seu jornal. Sua cidade.
  • 3

Chefes do PCC estão na mira da Justiça

Após 4 anos de trabalho, Ministério Público Estadual identifica e denuncia cabeças da facção criminosa

11/10/2013 - 23:07

Jornal A Cidade - Rita Magalhães

Alterar o tamanho da letra A+ A A-


Milena Aurea / A Cidade
Quadrilha que atuava no tráfico de drogas em Ribeirão Preto é presa em julho (foto: Milena Aurea / A Cidade)

Quatro anos de investigação presidida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo culminaram na identificação e denúncia dos seis principais chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuam em Ribeirão Preto.

O grupo é acusado de integrar a facção criminosa que “recrutou” 7.800 integrantes no Estado para o tráfico de drogas e armas pesadas, além de homicídios de desafetos, adversários e agentes públicos – inclusive a do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Fabio Mois de Oliveira (chamado de Fabinho ou Mexicano), Jonathan Douglas de Oliveira (Nenem ou Ventania), Rodrigo Boschini (Boy ou Billi), Rodrigo Aparecido Ponce Marto (Babão), Jonathan da Silva Santana (o Mineiro), Edson Ramos Torres (Rian) e Luís Bellini estão entre os 175 chefões denunciados anteontem à Justiça por formação de quadrilha armada.

Apesar de o Ministério Público ressaltar que os acusados jamais mantinham contato físico com qualquer substância entorpecente, todos são acusados de contribuir direta ou indiretamente para o tráfico de drogas no Estado.

Foi a mais longa investigação já registrada contra a facção criminosa no país. No total, 23 promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado participaram da ofensiva, que resultou no apontamento da função de cada um dos líderes, em quase 900 páginas da denúncia.

Quem são
Fábio Mois de Oliveira, o Mexicano, e Jonathan Douglas de Oliveira, o Nenem, foram presos em abril de 2012, em Potirendaba, com uma pistola Thunder do PCC. Mexicano foi flagrado em interceptações planejando um resgate na região de Campinas. De acordo com o Gaeco, Mexicano e Nenem integram o terceiro escalão da hierarquia da quadrilha e recebem ordens diretamente da cúpula da facção, comandada pelo preso William Herbas Camacho, o Marcola. Os dois integram o apelidado “Quadro dos 36”, apesar de atuarem no Interior. Ambos foram presos por uso de documento falso e formação de quadrilha.

Rodrigo Boschini, o Boy, foi preso em Lavínia atuando como sintonia da facção no Interior. Atualmente está preso da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau com outros chefões – investigações apontam que o PCC domina 90% dos 152 presídios do Estado, obrigando seus desafetos e adversários a buscarem refúgio nas 15 unidades restantes.

Rodrigo Aparecido Ponce Marto, o Babão, outro sintonia final do Interior, aparece nos grampos falando sobre uma “missão” (possivelmente um plano de resgate) ordenada por Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, integrante do segundo escalão. Na conversa interceptada no dia 8 de março do ano passado, Babão diz a Gegê: “Vocês direcionaram uma situação [missão] pra nós conduzirmos aqui no inter [Interior]. Eu queria tirar uma dúvida com o irmão [Gegê]. Se nós precisarmos de um apoio nessa caminhada aí na terra da Garoa [de integrantes da facção de São Paulo], se pudermos ter um auxílio nessa caminhada, porque na região que estamos nem todos têm experiência nessa caminhada, aí [a missão] é mil grau [alto risco]”.

Arsenal
Édson Ramos Torres, o Rian, é apontado como líder responsável pela confecção das planilhas do crime organizado. As interceptações mostram que era Rian quem controlava a entrada, saída e empréstimos de pistolas e fuzis para os integrantes do crime organizado. Ele foi preso em novembro de 2011 na Rodovia Fernão Dias, em São Paulo, com a contabilidade e drogas do PCC.
Numa das conversas, Rian recebe ordem de um comparsa para anotar a chegada de dois fuzis e 15 pistolas, a entrada de 15 Cherokee (pistolas) e o empréstimo de 9 fuzis para Edilson Borges Nogueira, o Biroska.

Em Ribeirão, 20 integrantes presos

A maior parte do tráfico de drogas em Ribeirão Preto é comandada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo informa a Polícia Civil. 

Os números locais não foram divulgados, mas durante os quatro anos de investigações do Ministério Público foram apreendidas 4,7 toneladas de drogas no Estado de São Paulo. Destas, a maioria – 340 kg – é de cocaína. Os entorpecentes são provenientes do Paraguai e da Bolívia. 

Segundo a Delegacia Seccional de Ribeirão Preto, os criminosos utilizam o dinheiro do tráfico de drogas para financiar, principalmente, o tráfico de armas, que são usadas para roubos.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, além de comandar o tráfico de drogas  na cidade, o PCC gerencia crimes como roubos e furtos, além de ações contra agentes estatais. 

Prisões

Este ano, a Polícia Civil prendeu 20 integrantes da facção criminosa em Ribeirão Preto. 

Em julho, Reinaldo Zanotti, que comandava o tráfico em Ribeirão e em mais 100 cidades da região, foi preso no Planalto Verde, zona Oeste da cidade. No mesmo dia, mais oito integrantes do PCC também foram detidos. 

Na última segunda-feira, cinco integrantes do PCC foram presos durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Ribeirão Preto. Um dos detidos era responsável pela distribuição e pelo gerenciamento do tráfico de drogas no Estado. O nome dele não foi divulgado. 

O grupo, conhecido como Sintonia do Progresso, movimentava aproximadamente R$ 260 mil com o tráfico.  (com Jacqueline Pioli)

Participe
Participe AraraquaraSiga nosso TwitterCurta nossa Fan Page

Edição Digital

Tenha acesso a todo o conteúdo do jornal impresso.

Edição Online

Classificados - Jornal a Cidade

A partir de agora você terá mais uma opção para anunciar veículos e imóveis no Jornal A Cidade

Classificados Imóveis- Jornal a Cidade
Classificados Carros - Jornal a Cidade